Medicamento contra câncer

Medicamento contra câncer
16 de agosto de 2016 Pharmagenix
imag-noticia

ARTIGO: União Química e Instituto Butantan desenvolvem medicamento biológico contra câncer (Amblyomin-X®)

Data: 16/08/2016

Descoberto pela pesquisadora brasileira Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, responsável pelo Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto Butantan, o Amblyomin-X® é o primeiro medicamento biológico anti-tumoral inovador a ser 100% desenvolvido em território nacional de acordo com padrões internacionais exigidos pela Anvisa. Trata-se de uma proteína recombinante capaz de provocar a morte de células tumorais sem causar danos às células saudáveis. As pesquisas vêm sendo conduzidas por uma equipe formada pela parceria entre a indústria farmacêutica União Química e o Instituto Butantan e devem chegar agora à fase chamada de “teste clínico”, ou Fase 1, quando os testes começam a ser feitos em humanos.
“Já tendo cumprido todas as etapas da pesquisa, agora estamos na fase final de obtenção da autorização, junto à Anvisa, para a realização dos testes clínicos”, afirma Dr. Miguel Giudicissi Filho, diretor Médico Científico da União Química. “Acreditamos que os testes já possam ter início no começo do próximo ano”, complementa.
Nos últimos anos, a União Química investiu, somente neste projeto, mais de R$ 20 milhões, em parceria com o Instituto Butantan e apoios da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico (CNPQ), do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
Os efeitos negativos dos medicamentos, além dos cidadãos, mina, também, a saúde dos sistemas público e privado de saúde. Os hospitais gastam fábulas com esses problemas, inclusive com o retorno de pacientes (muitos precisam ser internados) em decorrência de complicações causadas pelo uso de fármacos. Nas emergências, 40% dos pacientes são atendidos em decorrência de problemas causados por essas substâncias.
A União Química está investindo mais de R$ 100 milhões em sua subsidiária Bthek Biotecnologia, no Polo Industrial JK, em Brasília, na instalação de uma moderna linha de fabricação Flex Factory, construída pela General Electric, linha essa de alta tecnologia para a produção da proteína em escala industrial.
Carrapato – Ana Marisa explica que o processo começou com o estudo do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), há mais de dez anos. O objetivo, na época, era buscar na saliva do aracnídeo novos agentes para inibir a coagulação sanguínea, já que o parasita se alimenta de sangue. “Durante os estudos descobrimos uma molécula na glândula salivar do carrapato que inibia a proliferação celular e investimos na análise de suas ações contra os tumores cancerígenos”, afirma Ana Maria.
A pesquisadora do Instituto Butantan destaca que todas as fases de pesquisa já foram completadas – descoberta, mecanismos de ação, processo escalonado de produção, testes de estabilidade, formulação do medicamento e testes pré-clínicos. “Todos os resultados são animadores; realizamos um trabalho inédito no Brasil e isso comprova a viabilidade das parcerias entre empresas e instituições de pesquisas”, comenta Ana Marisa.
A etapa para o cumprimento de todos os procedimentos para o pedido de aprovação dos testes clínicos na Anvisa está sendo conduzida pela consultoria Pharmagenix. “Os estudos pré-clínicos foram finalizados. O desenvolvimento do produto em bancada está pronto e agora estamos realizando os ajustes para a etapa de escalonamento industrial”, afirma Camille Rodrigues da Silva, diretora Científica da Pharmagenix. Segundo ela, já está em definição, inclusive, quais serão os centros hospitalares que virão a fazer os testes da Fase 1. “Já estamos transferindo tecnologia para esses centros, todos altamente capacitados para esse tipo de trabalho”, afirma Camille. A documentação deve seguir para a Anvisa ainda este ano.
Durante os estudos, o Amblyomin-X® foi testado em 23 tipos diferentes de células tumorais. “Num processo posterior focamos, principalmente, no tratamento de melanoma, tumores de pâncreas e renais”, afirma Ana Marisa. Segundo ela, na Fase 1 será possível identificar, com mais precisão, a melhor indicação do anti-tumoral.
A molécula foi licenciada para a União Química Farmacêutica. “O objetivo de todos esses anos de pesquisas e investimentos é conseguirmos um medicamento novo, eficaz e acessível à população”, finaliza Dr. Miguel Giudicissi Filho.